escrever pra quê?
pra quê mesmo?
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compareço para esta edição viva. sim. porque estar viva é sentir tudo ou nada, é estar bem e às vezes não estar. aprendi recentemente com uma médica geriatra paliativista [que admiro], onde ela comentou sobre a resposta daquela perguntinha que recebemos todo dia de qualquer pessoa:
- “como você está?”
- “estou viva.”
gostei. essa é a resposta mais sincera que posso dar já que ultimamente tenho me sentido muito inconformada com a falta de sinceridade nas relações, trabalho e afins.
transparência é um valor super importante pra mim, e quando percebo que alguns contextos não são favoráveis para colocar isso em prática, isso me pega MUITO. é muito mais fácil ser você mesmo em ambientes favoráveis, já parou para pensar nisso? ou não? pra você é diferente?
é fora da bolha que demanda sermos quem somos de verdade. (diferente de um BBB, somos nós mesmos que assistimos nossos posicionamentos da vida + sentimos a leveza de dormir com uma mente em paz sobre a coerência ou incoerência de existir). por aqui tamo no exercício de ser quem se é, independente do lugar e pessoas. desafiador se blindar, mas bora aprender.
toma uma musiquinha pra ler gostosinho:
um livro?
era 2013 quando fiz o meu único vestibular para medicina numa cidade próxima da minha no interior do paraná (alô maringá) com apenas alguns meses de cursinho e o ensino médio em escola pública. o resultado? lista de espera na posição 2mil e alguma coisa e uma única nota estava na faixa dos aprovados: a nota da redação.
me chamou a atenção na época e agora, 13 anos depois.
vou te contar o motivo:
desde 2020 comecei a fazer tipo escrita matinal após minha primeira viagem sola para Ilhabela, eu estava terminando a minha residência e pensando o que a vida queria de mim após esse capítulo. lembro que comprei um caderno bem bonitinho no bairro da liberdade em essepê (sp), e comecei. além de escrever como me sentia, também colocava coisas sobre minhas oraçõezinhas que fazia. a escrita começou a fazer mais parte da minha vida e após ler livros de mulheres fodas que botaram sua história no mundo, comecei a pensar numa possibilidade.
eu, nômade, vivendo 1 ano em 1 mês, precisava de um lugar para registrar, digerir, analisar toda aquela intensidade de coisas, sentimentos e pessoas.
- vou escrever um livro sobre minhas histórias de amor na vida nômade.
foi o que passou na minha cabeça um dia, e que de fato aconteceu, porém nunca terminei após minha psicóloga perguntar:
- “por que você quer escrever esse livro?”
é, a perguntinha me paralisou. o livro ficou pela metade e eu sentia que ainda precisava terminar de viver algumas histórias. e quem sabe, após vivê-las, decidiria sobre a possibilidade de seguir com o plano, e assim estamos.
como eu vim parar aqui? eu só tenho 30 anos
com minha volta para o brasil varonil, a colmeia foi criada com objetivo de reunir profissionais de saúde que se interessavam em trabalhar remoto + ter mais qualidade de vida, mas de repente ela se tornou esse espaço que estamos e isso aconteceu bem naturalmente. me questionei e ainda me questiono se devo criar outra newsletter para falar sobre o que me atravessa e deixar essa para a ideia principal, mas foi quando comecei a me perguntar do porquê que eu escrevo até que li isso aqui:
escrevo porque só sei o que penso depois de ler o que escrevi.
Flannery O’Connor escritora estadunidense
em 2025 fiz um curso de escrita curativa e que me ampliou a perspectiva de entender a forma de como o texto chega em mim e nas pessoas.
o que me atravessou talvez não te atravesse.
e vice-versa.
o que eu não disse talvez eu acabe dizendo nas entrelinhas.
e vice-versa.
digo a todos os repórteres que não me sinto um escritor: que sou só um ser humano procurando um jeito de viver. e que talvez esse jeito seja escrever, sei lá.
cartas de caio fernando abreu a hilda hilst
um dia minha psi perguntou:
- “como é para você acessar e conhecer a isabela escritora?”
ESCRITORA? calma lá! essa palavra tem peso, como assim ela pode ser utilizada com meu nome? baita susto. mas, é.
ser quem se é também na escrita com os pontos e vírgulas organizados, faltantes ou em excesso. é o que me faz ser livre e viva nessa folha em branco.
seguindo
escrevendo
que é um jeito de ir sendo.
mel
📖 o livro que mudou minha relação com a morte e a vida
📝 amo a escrita autêntica da Mariana Bittencourt e profundas de coragem da Andrea Salgueirinho
📖 uma das mulheres fodas que publicou sua vida livro pro mundo e tenho o prazer de chamar de minha amiga, Camila Gregurincic.
🤓 quero exercitar ler ficção, me recomenda algum? :)



Escrever é um ato grandioso e brilhante para mim, principalmente para minha saúde mental , física e espiritual… me ajuda muito nessa caminhada de vida 🌱 E ler também é uma das coisas que mais gosto, mas ler coisas assim da Alma🙌
Eu amo o processo de escrita e amo ler assuntos sobre isso. Obrigado por compartilhar, Isa!